1- Introdução
Os cristais são formados principalmente por três modos:
A partir de solução: Se evaporarmos lentamente a água de uma solução de cloreto de sódio, por exemplo, será alcançado um ponto em que a quantidade de água presente não consegue mais reter todo o sal em solução e este começará a se precipitar, ou seja, parte do cloreto de sódio assumirá a forma sólida. Quanto mais lenta for a evaporação da água, mais bem formados e definidos serão os cristais de cloreto de sódio. Outras maneiras de se cristalizar uma substância em solução é através do abaixamento da temperatura e do abaixamento da pressão do sistema.
A partir de vapor: O caso mais comum de cristalização a partir de um vapor é a formação dos flocos de neve: o ar carregado de vapor resfria-se bruscamente e os cristais de neve formam-se diretamente a partir do vapor. Também pode ser visto esse fenômeno na sublimação do iodo: os cristais de iodo em m frasco sublimam e recristalizam-se nas paredes. Também verifica-se a formação de cristais de enxofre em torno das bocas das fumarolas nas regiões vulcânicas, onde os cristais se depositam a partir de vapores impregnados de enxofre.
1.1) A estrutura interna dos cristais:
Simetria de ângulos e arestas | Tipo de retículo e pontos da cela unitária |
Isométrico a = b = g = 90o a = b = c |
(1) P - pontos
somente nos vértices (2) I - pontos nos vértices e no centro da cela (3) F - pontos nos vértices e no centro de todas as faces |
Hexagonal a = b = 90o g = 120o a = b ![]() |
(4) C ou P -
pontos somente nos vértices ou cela hexagonal com pontos nos vértices e no centro das extremidades |
Romboédrico a = b = g ![]() a = b = c |
(5) P ou R - pontos somente nos vértices |
Tetragonal a = b = g = 90o a = b ![]() |
(6) P - pontos
somente nos vértices (7) R - pontos nos vértices e no centro de todas as faces |
Ortorrômbico a = b = g = 90o a ![]() ![]() |
(8) P - pontos
somente nos vértices (9) C - pontos nos vértices e nos centros de duas faces opostas (10) I - pontos nos vértices e no centro da cela (11) F - pontos nos vértices e nos centros de todas as faces |
Monoclínico a = g = 90o ![]() a ![]() ![]() |
(12) P - pontos
somente nos vértices (13) C - pontos nos vértices e no centro das extremidades |
Triclínico a ![]() ![]() a ![]() ![]() |
(14) P - pontos somente nos vértices |
1.2) A forma externa dos cristais:
2- Eixos cristalográficos
3- Características dos cristais
3.1) Clivagem:
Diz-se que um mineral possui clivagem quando, aplicando-se uma força adequada, ele se rompe de modo a produzir superfícies planas definidas. A clivagem pode ser perfeita, como nas micas, mais ou menos indistinta, como no berilo e na apatita, ou não existir, como em alguns cristais. A clivagem depende da estrutura do cristal e ocorre somente paralelamente aos planos de átomos. Se um grupo de planos de átomos paralelos tem entre si uma força de ligação fraca, é provável que a clivagem ocorra ao longo desses planos. A grafita, por exemplo, tem uma clivagem em placas. Dentro das placas existe uma ligação forte, mas entre elas há uma ligação fraca, dando origem à clivagem. Uma ligação fraca geralmente acompanha-se de um espaçamento reticular grande, pois a força de atração não consegue manter os planos bem juntos entre si. Na descrição de uma clivagem deve-se indicar sua qualidade, expressando-a como perfeita, boa, má, regular etc.3.2) Partição:
3.3) Fratura:
- Concóide - Quando a fratura tem superfície lisa, curva, semelhante à superfície interna de uma concha.
- Fibrosa ou Estilhaçada - Quando o mineral se rompe mostrando estilhaços ou fibras.
- Serrilhada - Quando o mineral se rompe segundo uma superfície denteada, irregular, com bordas cortantes.
- Desigual ou Irregular - Quando o mineral se rompe formando superfícies rugosas e irregulares.
3.4) Dureza:
1- Talco | 6- Ortoclásio |
2- Gipso | 7- Quartzo |
3- Calcita | 8- Topázio |
4- Fluorita | 9- Coríndon |
5- Apatita | 10- Diamante |
O talco, número 1 da escala, tem uma estrutura constituída de placas tão debilmente unidas entre si que a pressão dos dedos é suficiente para fazer deslizar uma placa sobre a outra. Em contraste está o diamante, de maior grau de dureza da escala, constituído de átomos de carbono tão firmemente ligados entre si que nenhum outro mineral é capaz de separá-los de modo a produzir um sulco na sua superfície.
3.5) Tenacidade:
Conhece-se como tenacidade a resistência que um mineral oferece ao ser rompido, esmagado, curvado ou rasgado. Em outras palavras, sua coesão. Os termos seguintes são usados para designar as várias espécies de tenacidade dos minerais:- Quebradiço - Um mineral que se rompe ou pulveriza facilmente.
- Maleável - Um mineral que pode ser transformado em lâminas delgadas por percussão.
- Séctil - Um mineral que pode ser cortado em aparas delgadas com um canivete.
- Dúctil - Um mineral que pode ser estirado em forma de fios.
- Flexível - Um mineral que se encurva e permanece na forma alterada mesmo após cessar a pressão sobre ele.
- Elástico - Um mineral que se encurva, mas retorna à sua forma original após cessar a pressão sobre ele.
3.6) Densidade:
A densidade de um mineral (designada por d) é o número que expressa a relação entre sua massa e o seu volume. A densidade depende da composição química do mineral e de sua estrutura cristalina. Quando o mineral tem um arranjo estrutural constante, sua densidade é fixa. Porém, a densidade pode variar se o mineral apresentar espécimes com arranjos estruturais diferentes.
3.7) Brilho:
Chama-se brilho a aparência geral da superfície de um mineral à luz refletida. Os termos seguintes são usados para designar os vários tipos de brilho que um mineral pode ter:- Vítreo - O mineral tem um brilho semelhante ao de um vidro.
- Resinoso - O mineral tem a apar6encia de uma resina ou verniz.
- Gorduroso - O mineral parece estar coberto por uma camada de gordura ou óleo.
- Nacarado - O mineral tem a aparência de uma pérola.
- Sedoso - O mineral tem a aparência da seda.
- Adamantino - O mineral tem um brilho como o do diamante.
3.8) Cor:
A cor de um mineral nem sempre é uma propriedade definida e constante. Vários fatores podem alterar a coloração exibida por um mineral, tais como uma mudança na composição química, a presença de impurezas, alterações na sua superfície etc. Por exemplo, a substituição progressiva do zinco pelo ferro na esfalerita mudará sua cor do brando, passando pelo amarelo e pelo castanho ao preto. Vários outros minerais apresentam variações de cor semelhante a esta. No entanto, existem alguns poucos minerais, como a fluorita, que apresentam grandes variação na cor, sem qualquer alteração aparente na composição.
3.9) Traço ou Risco:
A cor do pó fino deixado por um mineral ao ser esfregado em uma peça de porcelana polida chama-se traço ou risco. Embora a cor do traço possa variar amplamente, ela é usualmente constante. A placa de porcelana tem dureza aproximadamente 7 e, por isso, não pode ser riscada por minerais de maior dureza. 3.10) Jogo de cores:
Diz-se que um mineral apresenta um jogo de cores quando, ao virá-lo, vêem-se várias cores espectrais em rápida sucessão. Isto é muito comum no diamante e na opala preciosa.3.11) Iridescência:
Um mineral é iridescente quando mostra uma série de cores espectrais em seu interior ou sobre uma superfície. Uma iridescência interna é causada geralmente pela presença de pequenas fraturas ou planos de clivagem, ao passo que uma externa é causada pela presença de uma película ou revestimento superficial delgado.3.12) Opalescência:
Opalescência é a reflexão leitosa ou nacarada do interior de um cristal. Observa-se este fenômeno em algumas opalas, pedra-da-lua e olho-de-gato.3.13) Embaçamento:
Diz-se que um mineral exibe embaçamento quando a cor da superfície difere da do interior. Os minerais de cobre, a calcocita, a bornita e a calcoprita mostram com frequência o embaçamento depois que superfícies recentes foram expostas ao ar.3.14) Acatassolamento:
Alguns minerais apresentam, sob a luz refletida, uma aparência sedosa que resulta de muitas inclusões dispostas paralelamente a uma direção cristalográfica. Quando se lapida uma gema, na forma de cabuchão, de um mineral destes, ele é cruzado por um feixe de luz que forma ângulos retos com a direção das inclusões. Esta propriedade, conhecida por acatassolamento, é exibida pelo olho-de-gato, uma variedade gemológica do crisoberilo.3.14) Asterismo:
Alguns cristais, especialmente os do sistema hexagonal, quando vistos na direção do eixo vertical, mostram raios de luz como uma estrela. Este fenômeno, chamado asterismo, origina-se de peculiaridades de estrutura ao longo das direções axiais ou de inclusões dispostas em ângulos retos quanto a estas direções. O exemplo notável é a safira astérica ou estrelada.3.14) Pleocroísmo:
Alguns minerais possuem uma absorção seletiva da luz nas diferentes regiões cristalográficas, podendo, assim, aparecer com várias cores, quando vistos em diferentes direções na luz transmitida. Conhece-se esta propriedade como pleocroísmo. Exemplos comuns são a turmalina, a cordierita e o espodumênio.3.14) Luminescência:
Denomina-se luminescência qualquer emissão de luz por um mineral, que não seja o resultado direto da incandescância. Na maioria dos casos a luminescência é tênue, podendo ser observada somente no escuro. Existem vários tipos de luminescência:- Triboluminescência - O mineral se torna luminoso ao ser esmagado, riscado ou esfregado. Geralmente são minerais não-metálicos, anidros e de boa clivagem. Ex: fluorita, pectolita, calcita, ambligonita, feldspato, esfalerita e lepdolita.
- Termoluminescência - O mineral emite luz visível quando aquecido a uma temperatura abaixo do vermelho. Também ocorre geralmente em minerais não-metálicos e anidros. Ex: fluorita, calcita, feldspato, lepidolita, escapolita e apatita.
- Fluorescência e Fosforescência - Os minerais que se tornam luminescentes durante a exposição à luz ultravioleta, aos raios X ou aos raios catódicos são fluorescentes. Diz-se que um mineral é fosforescente se a luminescência perdura após a interrupção dos raios excitantes.
3.14) Diafaneidade:
Conhece-se por diafaneidade a propriedade que alguns minerais têm de permitirem que a luz os atravesse. Usa-se os seguintes termos para designar os diferentes graus dessa propriedade:- Transparente - O contorno de um objeto visto através do mineral é perfeitamente definido.
- Translúcido - Não se consegue distinguir exatamente um objeto através dele, mas pode-se enxergar formas embaçadas.
- Opaco - O mineral é opaco quando a luz não consegue atravessá-lo, mesmo em suas bordas mais delgadas.
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